segunda-feira, 24 de março de 2014

Canindé cria o Bolsa Verde para agricultores

Há nove anos, um agricultor deste município trava uma luta no meio da caatinga, alertando para conscientização dos trabalhadores com a preservação da fauna e da flora. José Erivaldo Coelho Ferreira de 59 anos, que planta milho, feijão, melancia, mamão, acerola, cebolinha, coentro, alface, rúcula, todos produtos orgânicos, vai ganhar agora a Bolsa Verde, um programa da Secretaria de Meio Ambiente de Canindé.
"Estou há 9 anos buscando alternativas para mostrar aos colegas que tiram da terra o sustento a importância da convivência com o semiárido, na preservação das nascentes, da nossa floresta e dos animais", explica Erivaldo Coelho.
O Secretário de Meio Ambiente de Canindé João Paulo Paulino anunciou que o Bolsa Verde é um programa de preservação da natureza na região. Primeiro iremos criar os guardiões da floresta e da caatinga. "Vamos incentivar as pessoas a lidar com a terra sem agressão, distribuir plantas nativas para fortalecer o ecossistema estão dentro do programa que terá como ponto de partida o Rancho São José de propriedade do ambientalista José Erivaldo", ressalta João Paulo.
"Queremos despertar no público do sertão que ainda existem maneiras de convivência com a seca, basta buscar alternativas, e, isso nós estamos preparando o homem do campo para que ele possa estar presente no dia-a-dia do campo, produzindo, mas sem agredir o meio ambiente'', explica João Paulo que participou da procissão ecológica realizada por Erivaldo.
João Paulo Paulino (segurando o andor, no lado direito) anunciou , no Dia de São José, ações voltadas para o meio ambiente.
Incentivo
O segundo incentivo anunciado reúne as mulheres da comunidade de Minador, que agora irão aproveitar o óleo de cozinha, que antes era lançado no meio ambiente, sobretudo nos mananciais, para fabricação de sabão.
Os grupos já foram formados e apresentados durante a festa promovida na localidade de Minador. "Vamos começar com uma equipe de 8 mulheres, depois levaremos para outras comunidades, porque entendemos que a preservação ambiental é muito importante para o convívio das pessoas com o Semi Árido", salienta o Secretário.
A Associação dos Pequenos Produtores de Minador e Adjacências, será a tutora do projeto que terá todo o processo de formação feito pela Prefeitura através da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
"O óleo que antes causava danos ambientais, agora será uma fonte de renda para as mulheres, que muitas das vezes ficavam metade do dia na ociosidade, mas agora ganham um equipamento de trabalho importante para o aumento da renda familiar", observa Irani Paulino que faz parte do grupo de ambientalista de Canindé que luta por dias melhores no campo.
O próprio Município vai comprar o sabão produzido pelas mulheres, que posteriormente será utilizado nas escolas, creches e outros setores públicos.
"O nosso grande objetivo é despertar na sociedade a importância de lidar com o meio ambiente. O que antes ia para agredir o solo, agora vai para um fonte de renda e que incentiva as pessoas a pensar melhor em relação a essa prática tão comum de pegar o resto do óleo que é utilizado para frituras diárias e depois jogado fora", ressaltou.

Fonte: Diário do Nordeste / Foto: Antônio Carlos Alves

Projeto aprovado pela Câmara reduz valores de gratificações concedidas a servidores de Canindé

O projeto de lei, aprovado por unanimidade pela Câmara, é de autoria do executivo municipal. As gratificações, que poderiam chegar a 200% do salário base dos servidores, agora não podem ultrapassar os 50%. Segundo os parlamentares, a decisão de aprovar o projeto foi tomada pelo fato de as gratificações não serem vistas como melhorias para os funcionários, já que podem ser concedidas e revogadas conforme decisão do prefeito. Com as mudanças, vereadores defendem a aplicação dos planos de cargos, carreiras e salários (PCCS) dos servidores municipais.

Prefeitura garante limpeza do entorno da estátua de São Francisco, mas conclusão da obra ainda é incerta

Foto: Divulgação/Prefeitura de Canindé
Os trabalhos de limpeza serão realizados quinzenalmente pela Cooperação Parceria e Apoio a Gestão, Meio Ambiente e Secretaria de Infraestrutura do município. Um zelador também deve ficar responsável pelo trabalho diário. Segundo a prefeitura, a organização social que realiza a limpeza pública fará a coleta três vezes por semana, nas terças, quintas-feiras e sábados. Se por um lado existe a garantia de um local limpo, por outro ainda não existe a certeza de que as obras no entorno do monumento serão concluídas. A empresa responsável pela execução dos trabalhos não apresentou as medições e documentações necessárias para a Caixa Econômica e os serviços estão paralisados desde 2012. Segundo o prefeito Celso Crisóstomo, o recurso para concluir a obra não é suficiente e um novo projeto está sendo elaborado para ser apresentado ao banco. O governador Cid Gomes se propôs a complementar a verba, mas, até agora, a única certeza é que, pelo menos por enquanto, a área vai continuar sem estrutura para receber os visitantes. 

Alunos do IFCE, campus Canindé, reivindicam pavimentação

   O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, Campus de Canindé (IFCE), completou, no último dia 15 de Março, 4 anos de implantação e funcionamento na cidade. O centro oferece cursos de nível técnico e superior, além de vários programas de incentivo a pesquisa e a docência.
   O IFCE já formou alunos dos cursos de Licenciatura em Educação Física, Tecnólogo em Redes de Computadores e Gestão de Turismo, além de Técnico em Eventos e Telecomunicações. Mas infelizmente nem tudo funciona como deveria. A entrada do Campus ainda se encontra sem a devida pavimentação, obra de responsabilidade da Prefeitura Municipal. Desde a gestão anterior, nada foi feito para acabar com problemas como grandes dos grandes poços de lama que se formam na entrada em dias de chuva, dificultando o acesso de alunos, professores e funcionários.
   A última promessa de pavimentação foi feita no dia 17 de outubro de 2013, pelo prefeito Celso Crisóstomo, durante solenidade de entrega de certificados do Instituto. A obra foi anunciada para o início desse ano. Entre os serviços prometidos estão a pavimentação no entorno do campus, a iluminação, o transporte gratuito, ponto de ônibus e água via adutora.  Na ocasião foram apresentados, inclusive, os engenheiros que estariam desenvolvendo o projeto de pavimentação.
  Até agora a comunidade acadêmica espera uma resposta, são inúmeros ofícios já enviados e mesmo assim, mais uma quadra invernosa chega à cidade e os problemas na frente do campus perduram sem solução.
  Veja imagens da frente do Campus em dias chuvosos:

sexta-feira, 21 de março de 2014

Dia de São José é Festejado no Bairro Bela Vista, em Canindé.

Na tarde de quarta-feira, uma procissão saindo da Basílica de São Francisco, rumo a Igreja de São José, no bairro Bela Vista, marcou o ponto alto do novenário dedicado ao Padroeiro do estado do Ceará.
Com uma grande presença de canindeenses, a caminhada passou por várias ruas. Nas proximidades do bairro, muitas velas, faixas e altares, engrandeciam a passagem da imagem do padroeiro do Ceará.
Em uma missa campal celebrada pelo pároco de Canindé, Frei João Amilton dos Santos, vários fiéis foram agradecer e louvar a São José pelas chuvas que já caíram na região e para que o inverno de fato seja bem favorável e farto.
Segundo crendices populares, se no dia de São José chove, a garantia de um bom inverno é certa. Em Canindé, a chuva veio pela madrugada e no fim da tarde o céu ficou nublado, mas não houve pancadas de chuva. Já em Caridade, por volta das 14h30, uma grande chuva caiu na cidade e se estendeu até as proximidades de Canindé.
Durante a celebração, os fogos de artifício levavam aos céus os agradecimentos de seus devotos e a fé que a seca não irá se agravar na região. Logo após a celebração, aconteceu o tradicional bingo em prol da Igreja de São José.
Missa Campal de Encerramento da Festa de São José

quinta-feira, 20 de março de 2014

Cisterna defeituosa causa transtornos em Canindé



Enquanto o governo busca expandir o programa de instalação de cisternas como fundamental para o convívio com a seca, o uso está sendo prejudicado pela forma inadequada na instalação. A líder comunitária Antônia Fabiana Sousa Barros anos, residente na Comunidade de Vazante do Ipu, zona rural de Canindé, diz que o equipamento tem sido ineficiente porque foi colocado de forma oblíqua, comprometendo a captação da água.
Segundo ela, o equipamento foi instalado de forma errada e a água que desce pelas calhas não chega ao sugador da bomba, porque está inclinada para baixo. "Até para retirar com o balde içado em uma corda é ruim, porque fica muito alto'', lamenta a sertaneja.
O cano adaptado ao telhado fica mais acima do espaço que desce a água e, assim fica complicado o bombeamento até a vasilha. Ficou uma parte alta e outra baixa, sem manter o nível correto, por isso gerando perdas hídricas, porque tem chovido bem na região.
"Espero que o Superintendente da Fundação Nacional de Saúde no Ceará Germano Fonteles tome conhecimento desse problema. Fizeram tudo errado e agora a prejudicada sou eu. A cisterna seria a única coisa boa que ganhei nessa seca, mas infelizmente ainda não deu certo", lamenta Fabiana.
Para tirar água é preciso muita perícia. Em pé sob uma cadeira dona Antônia Fabiana puxa um balde amarrado em uma corda três vezes ao dia, quando tem água da chuva. "Se tivessem feito o serviço completo não estaria passando por uma situação dessa", diz em tom de revolta.
Desconhecimento
O coordenador do Programa das cisternas de polietileno em Canindé, Júnior Mourão, disse que não tinha tomado conhecimento do fato, mas garantiu que vai enviar uma equipe ao local para averiguar o que aconteceu. "Não posso precisar porque não vi o caso, mas vamos analisar com cautela e tentar resolver de vez a situação'', disse.
Outro fato que deixa a população de Vazante do Ipu revoltada é a construção de uma cisterna de placa em terreno, onde a obra hídrica foi construída primeiro que a casa.
No local, a residência ficou abandonada e a cisterna de número 197.472 está sem nenhuma serventia. "Isso revolta, porque existem tantas famílias precisando de um espaço para coletar água e aí constrói uma cisterna onde nem a casa ficou pronta e nem sequer tem gente para consumir o precioso líquido", reclama. Ela conta que foi mandado um ofício para a Secretária de Desenvolvimento Agrário denunciando o problema, não houve resposta até o momento, segundo Fabiana Sousa.
Canindé foi contemplado com 2.057 cisternas de polietileno e 700 de placas, mas ainda 
faltam serem instaladas muitas delas. Exemplo são as comunidades de São Bernardo, Nova Aurora, Ipueira Cumprida, cavaram os buracos e as cisternas não foram instaladas. Os moradores estão prejudicados porque está chovendo bem e a água sendo desperdiçada.
Segundo a Fundação Nacional de Saúde, a entrega das cisternas tinha previsão para o mês de junho de 2013, mas a maioria não chegou ao destino planejado. As vagas dos reservatórios viraram armadilhas, porque estão com os espaços cheio de água. "Isso é muito perigoso uma criança vir a morrer afogada, porque o buraco tem 1metro e 20 centímetros de profundidade e 3 metros e 20 de largura'', denuncia a líder comunitária de Japuara Clara de Assis, que teve sua cisterna instalada depois que ameaçou fechar a BR-
020 por conta da morosidade na conclusão das obras.

Fonte: Diário do Nordeste / Foto: Antônio Carlos Alves

segunda-feira, 17 de março de 2014

Micro-ônibus do DETRAN é flagrado estacionado em local proibido


O fato inusitado aconteceu no último sábado, 15. O veículo conduzia examinadores do órgão, que estavam em horário de almoço. O motorista estacionou o micro-ônibus em um dos trechos mais movimentados da Rua Romeu Martins, no Centro da cidade. Uma placa colocada no poste alerta para a proibição, mas a sinalização acabou sendo desrespeitada. Os profissionais do DETRAN estão em Canindé por conta da realização dos exames médicos para o programa Carteira de Motorista Popular do Governo do Estado, que seguem até o próximo dia 26. Durante o período em que o veículo ficou estacionado, nenhuma viatura da Guarda Municipal, responsável por fiscalizar irregularidades no trânsito da cidade, passou pelo local.

Ruralista mostra vigor aos 88 anos.

Anos seguidos de seca, políticas públicas ineficientes para a fixação do homem no campo e a saúde que se debilita à medida que se envelhece. Nada disso esmoreceu o agricultor Joaquim Alves de Sousa, que chega aos 88 anos ainda trabalhando na agricultura e, especialmente, tirando o seu sustento na agricultura de sequeiro.
O exemplo de Joaquim Alves, conhecido no meio rural por Quinca, mostra o quanto a persistência do homem do campo traz resultados positivos para aqueles que carregam a esperança nordestina de dias melhores, mesmo com a idade avançada.
Com a demora na distribuição das sementes do Governo do Estado, ele plantou com sementes próprias 10 quilos de grãos, sendo sete de milho e três de feijão em uma área de dois hectares às margens do Rio Canindé que corta o distrito de Ipu, Monte Alegre. "O plantio não está melhor porque faltaram chuvas nos últimos dias, mas já tirei feijão verde dessa roça", disse.
Rotina
"Todos os dias, minha rotina começa às 5 horas, nos tratos culturais do roçado e só retorno para casa ao meio-dia. Faço isso de segunda a sábado'', diz com orgulho o produtor rural.
Segundo ele, fazem 75 anos que trabalha como agricultor. "Vivo disso e da minha aposentadoria. Fico doente se ficar sem fazer nada no trabalho na agricultura", ressalta
Quinca conta que trabalha na agricultura de sequeiro há 75 anos , apesar das secas seguidas e da falta de apoio ao homem do campo.
Joaquim de Sousa lembra que no ano passado mesmo com as chuvas ruins produziu mais de uma tonelada de jerimum no mesmo espaço de terra. "O que falta hoje é mão de obra no campo. Há mais pessoas idosas no sertão e são poucos os jovens que querem produzir no campo, depois desses programas do Governo Federal", afirma. Procedente ou não, a crítica, conforme salienta, se baseia nas facilidades de se obter renda sem grandes esforços, comportamento que nunca adotou ao longo de seus anos de vida.
"Um dia de serviço na roça, custa hoje R$ 40,00 por conta do contratante e ninguém que mais negócio com a agricultura, porque o Governo sustenta muita que não tem coragem de trabalhar'', desabafa seu Quinca.
O secretário de Agricultura e Recursos Hídricos de Canindé, Glaiton Lopes de Sousa que está visitando as áreas produtivas, foi ver de perto a iniciativa de Joaquim Alves e garantiu que irá acompanhar o desenvolvimento do plantio do agricultor.
''Isso é um grande exemplo para os mais jovens. Um senhor com 88 anos trabalha sozinho em uma plantação de dois hectares e já colhe os primeiros frutos. Trabalhador desse nível precisa receber assistência técnica da Secretaria e, isso nós iremos fazer até o final da quadra invernosa'', disse Glaiton.
''Aqui pode faltar chuva para germinar as sementes, mas não falta coragem para trabalhar'', avisa Quinca. Pouco ou muito, tem chovido no município nesses últimos dias. Com isso, fica ainda mais animado para tocar sua roça. Afinal, como reconhece, o tempo mudou e a perspectiva é de mais chuvas para os próximos dias.
FONTE: Diário do Nordeste / Foto: Antônio Carlos Alves